Centro-Dia é sinônimo de autonomia para pessoas com deficiência e seus familiares

08/10/2019 20:16


Centro-Dia é sinônimo de autonomia para pessoas com deficiência e seus familiares
Antes das 8h, Fred Jackson Lopes já está na porta de sua casa esperando o veículo disponibilizado pela Prefeitura de Aracaju para ser levado ao Centro-Dia, um equipamento especializado da Secretaria Municipal da Assistência Social para o atendimento a adultos com deficiência, seja ela física, psíquica ou motora.
 
Fred foi diagnosticado com autismo grave ainda criança. O irmão dele, Jeferson Raygon Lopes, que o acompanha nas idas ao Centro-Dia, lembra que, na época, o irmão precisou ser levado a São Paulo para receber um diagnóstico mais preciso. "Se até para diagnosticar havia dificuldade, imagine para tratar. Então, ter esse tratamento disponibilizado pela gestão pública é muito importante para nós”, afirma. Fred frequenta o Centro-Dia há três anos e, segundo Jeferson, apresenta melhoras significativas.
 
“Ele evoluiu bastante nesse período. Houve grande melhora, hoje ele está bem mais tranquilo do que quando chegou aqui. Ele tinha muitas crises, era muito mais agitado”, lembra Jeferson. A rotina de Fred inclui atividades recreativas e motoras que trabalham especialmente a ansiedade e a autonomia dele.
 
Jeferson ressalta que o irmão gosta muito do Centro e que, como a mãe é esquizofrênica, a permanência dele muito tempo em casa não é boa, porque um deixa o outro agitado, gerando um ambiente de estresse. Então, a rotina dele no Centro-Dia é boa para toda a família. "A melhora não é só dele aqui, é nossa lá em casa também”, reconhece.
 
De fato, o tratamento do Centro-Dia não se restringe às atividades realizadas no próprio espaço, o que, para Jeferson, é determinante nos resultados do tratamento. “Além de tratar os usuários no local, também são realizadas visitas em casa, verificando quais os problemas familiares e como podem ajudar a resolvê-los, isso é importante, porque a base é a família. Se ela falha, termina interferindo na vida do especial. E o Centro-Dia faz isso muito bem”, assegura.
 
Jailton Teles da Conceição, 50 anos, também frequenta o Centro. Ele sofreu paralisia infantil e diz que as atividades realizadas no local o ajudam a ter mais autonomia e independência. “Melhorei muito. Gosto de vir e participar das atividades, dos passeios. Antes, eu era mais limitado, não tinha lazer”, afirma Jailton.
 
Mais autonomia

Possibilitar a conquista da autonomia é exatamente o objetivo das ações do Centro-Dia da Prefeitura de Aracaju. “Nosso público-alvo são adultos entre 18 e 59 anos, com deficiência que impeça o mínimo de autonomia, que sofrem alguma violação de seus direitos ou estejam em isolamento. Porque o objetivo é trabalhar a autonomia e a independência”, confirma a coordenadora do Centro-Dia, Lidiane Vieira Barbosa.
 
Atualmente, 38 pessoas nessas condições estão em tratamento no local, além de outras três em processo de seleção. Lidiane Vieira explica que as atividades são voltadas para ações da vida diária, a fim de que essa autonomia não apenas seja trabalhada, mas também aplicada no dia a dia dos usuários.
 
“As atividades vão desde a preparação de um lanche rápido, que ele possa fazer em casa mas que o familiar não permite por ter medo de que ele se queime ou se corte, como passar manteiga no pão, fazer uma vitamina de frutas, um bolo ou biscoito; vestir-se; tomar banho; arrumar a casa, atividades do dia a dia mesmo”, reforça Lidiane.
 
Segundo a coordenadora do Centro-Dia, por se tratar de atividades corriqueiras, qualquer avanço é importante. “Nem todos vão conseguir fazer tudo, apesar do acompanhamento, mas para os que são mais comprometidos, que não conseguiam pegar um copo e hoje conseguem, já é um avanço para a família”, garante.  
 
Segundo a coordenadora, uma das usuárias, por exemplo, toma água e suco sozinha no Centro, mas em casa toma na mamadeira. “Por isso a importância do atendimento à família e não só ao paciente, porque não adianta realizar o tratamento no Centro e não dar prosseguimento a ele em casa”, destaca. “O trabalho com a família fortalece o tratamento, por isso realizamos visitas, atividades e reuniões com eles”, completa.
 
Assim, de acordo com Lidiane, poderão perceber que são capazes de realizar essas tarefas, de irem ao supermercado, etc. “Cerca de 90% nunca foram estimulados a essa rotina e acabaram sendo isolados. Então, o que eles conseguirem fazer sozinhos já representa um ganho”, reitera.
 
Para isso, o Centro-Dia oferta uma equipe técnica formada por psicóloga, assistente social, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga, além de sete cuidadores, dois auxiliares de serviços gerais e a própria coordenadora. “As atividades são traçadas para cada grupo de deficiência e conta com vistas a shoppings e espaços públicos”, revela Lidiane.
 
O tempo de permanência de um usuário no Centro varia a depender do grau de comprometimento dele, segundo Lidiane. “Tem usuário que conserta celular, mas não sabe a sequência de um banho, por exemplo. Esse requer um tratamento mais pontual e fica conosco de 3 a 6 meses. Mas tem gente que já está com a gente desde a inauguração”, diz.
 
A metodologia do Centro-Dia é a de “porta aberta”, ou seja, quem precisar do tratamento pode ir até o local e solicitar a inclusão. A partir daí, a família será contatada e as técnicas agendarão uma visita para ver se a pessoa atende ou não ao perfil do local. Além disso, os órgãos de direito e outros usuários também podem encaminhar.

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